Pular para o conteúdo principal

Postagens

Olhando para o nada e fingindo que entendo.

Você pode ouvir esse texto narrado aqui --- Escrevo e apago. Suspiro. Coloco as mãos no rosto, olho por entre os dedos achando que acordei com 9 anos. Escrevo 44 linhas e apago. Eu estou me matando. Uma dor a cada batimento cardíaco.  Minha mente me confunde, eu tento quebra-la em pedaços para entende-la mas eu falho sempre. Onde está aquele jovem tão feliz? Onde está aquela pessoa com amigos e amor pela vida? Realmente me perdi a anos, me perdi tão longe que não da pra saber onde e como foi. Repito erros, repito medos, repito fracassos e não consigo tirar o pé desse buraco. Então eu retorno para esse lugar que criei na minha mente, para escapar da realidade. Reduzindo as expectativas a cada dia. Agora tenho certeza que boa parte da minha vida é um lugar escuro, frio e chuvoso. Gradualmente eu vou esvaziando.  O tempo é meu aliado, mas insisto e...

Foco.

Onde está a luz? Onde está o contraste? Estou completamente fora de foco. Eu fui esquecido pelos amantes, aqueles que de alguma forma ou outra já contatei na vida. Estou caído e não há ninguém por perto. Ninguém. Se aqueles momentos, todos aqueles momentos pudessem ser vividos novamente, talvez agora, pudesse ter alguém por perto. Mas eu faria outras escolhas? Eu assumiria os erros, as consequências? Eu preciso ouvir, me ouvir. Preciso ver e me ver. Preciso saber o que é real e o que não é, preciso aprender quando minha própria mente está mentindo para mim. Eu preciso ser mais, muito mais que esse medo que me enfrenta e me derrota. Preciso acordar desse pesadelo ou levantar desse chão frio.

Como é ser você?

Ninguém vai me perguntar isso durante a minha estadia nesse planeta, porém eu responderei mesmo assim. Como é ser eu? Bem, eu poderia escrever uma história grande, a minha jornada até aqui. Porém eu não consigo creditar emoção a mais nada, tão pouco às minhas palavras. Ser quem sou, é ser triste. É pensar que tenho talentos mas não saber como usa-los. É lembrar dos sonhos e perceber que vivo um pesadelo. É sorrir e sentir que estou me enganando. É chorar e sentir que estão me cortando. Ser quem sou, é não saber quem é. É não entender o sentido da existência. É não ver porque continuar a viver o próximo dia. É perceber como meus problemas residem na minha mente e perceber que não sou capaz de livrar. É saber que eu não sirvo mais para nada. Ser quem sou é como ser qualquer um. Não sou especial, não sinto ser e talvez nunca seja. Vejo os dias passarem tão rápidos. Sinto desperdiçar cada minuto. Perco a vontade de viver logo quando abro os olhos e começo a ouv...

Uma das minhas maiores vontades/sonhos é me isolar do mundo. Acredito que não seja o único com esse sentimento. Me sinto afastado de todos e tão pouco propenso a me aproximar. Eu não quero mais saber do que falam, do que escrevem. Também não me interesso saber onde estiveram ou com quem estão. Assim como muitos, me sinto preso nessa realidade. Não consigo achar uma lógica, traçar objetivos ou buscar a conquista de algo, a não ser o meu isolamento. Como posso me sentir abandonado mesmo quando o mundo me rodeia? Continuemos acordando na mesma hora. Continuemos fazendo o mesmo caminho. Continuemos sabendo exatamente o que acontecerá amanhã. Toda essa rotina conforta. Mantém a cabeça ocupada, na linha. Eu estou cansado, de novo. Cansado de todos, de tudo. Cansado de mim, das minhas lamentações, dos meus dramas. Cansado dos ruídos, do silêncio. Quando conquistar meu sonho, de me isolar, certamente também cansarei. O ciclo se repetirá, mas pelo menos eu tenho consciência dis...

Amem-se

Já não sinto mais a vida brilhante dentro de mim. Algumas pessoas se agarrariam nas últimas faíscas... eu estou sentado em um trem, minha cabeça apoiada na janela, esperando desaparecer de forma surreal. Onde estão os motivos para continuar? Eu começo a esquecer as coisas. As palavras não cogitam sair pela minha boca, permanecem na minha mente como um amontoado de livros prontos para queimarem. Meus braços apoiados na mesa, enquanto digito qualquer coisa, sinto-os cruzarem, como se alguém puxasse de um lado para o outro. Os olhos mal acompanham a luz. Estou tão cansado. Sinto que minha ampulheta caiu, o tempo se esvai pelos meus dedos, assim como a areia voa por todo o quarto. Lembrando os problemas, os arrependimentos, e mesmo sabendo que preciso limpar a mente, quem poderia me ouvir por tanto tempo? Para mim sempre está chovendo. Eu ando me escondendo dos sons, como se fossem me molhar. Na verdade, eles me perfuram, rasgam a minha alma e eu já não sei mais o que é se...

SÉRIE: Um segundo, uma viagem. - Respira

Ele nem pensou duas vezes e parou do lado do carro branco. Deu sinal que estava indo à direita. Estacionou com perfeição. Dessa vez tirou o sinto com calma. Olhou no espelho pra arrumar o cabelo. Abriu todos os compartimentos que viu mas nem sabia pelo que estava procurando. Mordeu os lábios. Fingiu para si mesmo que estava pensando. Esperou o momento certo e então abriu a porta com cuidado. Lembrando das cenas de filmes, fez questão de imitar, com um pé de cada vez, delicado porém firme. Nem olhou para trás de primeira. Contemplou o horizonte enquanto girava para fechar a porta. Começou a caminhar vagarosamente e disfarçou de certa forma que se convenceu que não sabia o que fazia. Levantou as sobrancelhas, um leve sorriso de canto e depois aquele aperto nos olhos. Certamente significava que os raciocínios aconteciam nesse instante. Pode compreender tudo o que acontecia com a jovem moça tentando fazer o carro ligar. Ele entendeu que ela t...

Um pouco da vida de cada um.

Antigamente eu poetizava as dores e sofrimentos.  Assim como o vento, empurrava a tristeza e deixava sobre a mesa apenas motivos para rir. Não deixava o silêncio surgir, tentava descontrair todos ao meu redor. Com o tempo percebi que me ignoravam, disfarçavam quando eu chamava a atenção. Comecei a entender que deveria mudar ou mudar de amigos, porém eu sentia o perigo da repetição. Eu queria a cada dia achar uma forma de impressionar, mas ninguém fazia questão de me olhar. Eu fui me afastando, esperando que tivessem saudade, que me chamassem para conversar e me escutar. Eu tinha histórias para contar. Em pouco tempo estava sozinho. Gastei muito de mim dedicando-me a todos, esqueci de conversar comigo e dar o prestigio de me abraçar, me entender e me gostar. De tantas árvores bonitas, eu sou uma das folhas esquecidas que já caíram no chão.