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Silêncio.

"Para ter silêncio, precisa ter vazio." Não há mais silêncio à noite, não há mais descanso. Não há mais solidão, não há paz em nenhum canto. Não há mais sombra para permanecer, nem escuridão para se esconder. Nos deitamos e a cada dia ficamos mais estagnados, mais tempo como espantalhos, tentando negar a existência, uma equivalência do nosso ensaio para a morte.

A cada dia pareço estar em um mundo diferente. Minha mente insiste em morar em calendários já riscados. Insiste em me fazer acreditar que aqui não é meu lugar. Eu não sei voltar. Os reflexos de todos os dias que perdi estão em mim. Os olhos não querem olhar. Minha voz se nega a cantar. A luz revela todo um futuro que eu já desperdicei. Me afogo em uma dor que ninguém admite sentir. Eu erro por acreditar que errei. Percebo que a felicidade já não é meu objetivo, quando os tons de cinza se agarram em mim. Por mais que eu lute, fale, mostre ou faça o que for, nada mais vale a pena. Serei esquecido assim como as ampulhetas nas eternas areias do tempo.

Olhando para o nada e fingindo que entendo.

Você pode ouvir esse texto narrado aqui --- Escrevo e apago. Suspiro. Coloco as mãos no rosto, olho por entre os dedos achando que acordei com 9 anos. Escrevo 44 linhas e apago. Eu estou me matando. Uma dor a cada batimento cardíaco.  Minha mente me confunde, eu tento quebra-la em pedaços para entende-la mas eu falho sempre. Onde está aquele jovem tão feliz? Onde está aquela pessoa com amigos e amor pela vida? Realmente me perdi a anos, me perdi tão longe que não da pra saber onde e como foi. Repito erros, repito medos, repito fracassos e não consigo tirar o pé desse buraco. Então eu retorno para esse lugar que criei na minha mente, para escapar da realidade. Reduzindo as expectativas a cada dia. Agora tenho certeza que boa parte da minha vida é um lugar escuro, frio e chuvoso. Gradualmente eu vou esvaziando.  O tempo é meu aliado, mas insisto e...

Foco.

Onde está a luz? Onde está o contraste? Estou completamente fora de foco. Eu fui esquecido pelos amantes, aqueles que de alguma forma ou outra já contatei na vida. Estou caído e não há ninguém por perto. Ninguém. Se aqueles momentos, todos aqueles momentos pudessem ser vividos novamente, talvez agora, pudesse ter alguém por perto. Mas eu faria outras escolhas? Eu assumiria os erros, as consequências? Eu preciso ouvir, me ouvir. Preciso ver e me ver. Preciso saber o que é real e o que não é, preciso aprender quando minha própria mente está mentindo para mim. Eu preciso ser mais, muito mais que esse medo que me enfrenta e me derrota. Preciso acordar desse pesadelo ou levantar desse chão frio.

Como é ser você?

Ninguém vai me perguntar isso durante a minha estadia nesse planeta, porém eu responderei mesmo assim. Como é ser eu? Bem, eu poderia escrever uma história grande, a minha jornada até aqui. Porém eu não consigo creditar emoção a mais nada, tão pouco às minhas palavras. Ser quem sou, é ser triste. É pensar que tenho talentos mas não saber como usa-los. É lembrar dos sonhos e perceber que vivo um pesadelo. É sorrir e sentir que estou me enganando. É chorar e sentir que estão me cortando. Ser quem sou, é não saber quem é. É não entender o sentido da existência. É não ver porque continuar a viver o próximo dia. É perceber como meus problemas residem na minha mente e perceber que não sou capaz de livrar. É saber que eu não sirvo mais para nada. Ser quem sou é como ser qualquer um. Não sou especial, não sinto ser e talvez nunca seja. Vejo os dias passarem tão rápidos. Sinto desperdiçar cada minuto. Perco a vontade de viver logo quando abro os olhos e começo a ouv...

Uma das minhas maiores vontades/sonhos é me isolar do mundo. Acredito que não seja o único com esse sentimento. Me sinto afastado de todos e tão pouco propenso a me aproximar. Eu não quero mais saber do que falam, do que escrevem. Também não me interesso saber onde estiveram ou com quem estão. Assim como muitos, me sinto preso nessa realidade. Não consigo achar uma lógica, traçar objetivos ou buscar a conquista de algo, a não ser o meu isolamento. Como posso me sentir abandonado mesmo quando o mundo me rodeia? Continuemos acordando na mesma hora. Continuemos fazendo o mesmo caminho. Continuemos sabendo exatamente o que acontecerá amanhã. Toda essa rotina conforta. Mantém a cabeça ocupada, na linha. Eu estou cansado, de novo. Cansado de todos, de tudo. Cansado de mim, das minhas lamentações, dos meus dramas. Cansado dos ruídos, do silêncio. Quando conquistar meu sonho, de me isolar, certamente também cansarei. O ciclo se repetirá, mas pelo menos eu tenho consciência dis...

Amem-se

Já não sinto mais a vida brilhante dentro de mim. Algumas pessoas se agarrariam nas últimas faíscas... eu estou sentado em um trem, minha cabeça apoiada na janela, esperando desaparecer de forma surreal. Onde estão os motivos para continuar? Eu começo a esquecer as coisas. As palavras não cogitam sair pela minha boca, permanecem na minha mente como um amontoado de livros prontos para queimarem. Meus braços apoiados na mesa, enquanto digito qualquer coisa, sinto-os cruzarem, como se alguém puxasse de um lado para o outro. Os olhos mal acompanham a luz. Estou tão cansado. Sinto que minha ampulheta caiu, o tempo se esvai pelos meus dedos, assim como a areia voa por todo o quarto. Lembrando os problemas, os arrependimentos, e mesmo sabendo que preciso limpar a mente, quem poderia me ouvir por tanto tempo? Para mim sempre está chovendo. Eu ando me escondendo dos sons, como se fossem me molhar. Na verdade, eles me perfuram, rasgam a minha alma e eu já não sei mais o que é se...