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Regressivo.

A cada dia eu me sinto perdido. Porém, não há evidência de que já havia me encontrado. Novamente me envergonho, me escondo. Esqueço ideias, abandono sonhos. Meus bolsos estão cheios de coisas. Carrego decorações de um funeral. Carrego o relógio da pressa. Sinto que algo está escapando de mim. Talvez porque desisti. Então o que ainda estou fazendo aqui?

Porque a vida é curta?

Hoje ouvi algumas pessoas conversando sobre " porque o dia passa tão rápido? ". Falaram sobre o trabalho, de parecer que passam a maior parte do tempo fazendo as coisas para os outros que quase não aproveitam a vida . Certamente eu tenho minha teoria pronta, mas ouvi o raciocínio deles sobre o dia ter menos de 24 horas. Uma vez que, a Terra está cada vez mais perto do sol, consequentemente o dia passa mais rápido... Claro que essa explicação foi breve e rasa, mas me ajudou a ir mais fundo no que já tinha pensado. O dia está passando rápido apenas por um motivo: estamos cada vez mais no automático. Eles falaram que as horas passam e as vezes nem percebem. E isso é justamente porque fazem o que fazem, de forma repetitiva e automática. Simples, não é? O ponto em questão é a sua percepção sobre isso e o que deve fazer para tentar mudar, isso claro, se você quiser mudar. Pensa comigo. Quando você era criança e estava descobrindo as coisas, quão rápido as horas ...

Silêncio.

"Para ter silêncio, precisa ter vazio." Não há mais silêncio à noite, não há mais descanso. Não há mais solidão, não há paz em nenhum canto. Não há mais sombra para permanecer, nem escuridão para se esconder. Nos deitamos e a cada dia ficamos mais estagnados, mais tempo como espantalhos, tentando negar a existência, uma equivalência do nosso ensaio para a morte.

A cada dia pareço estar em um mundo diferente. Minha mente insiste em morar em calendários já riscados. Insiste em me fazer acreditar que aqui não é meu lugar. Eu não sei voltar. Os reflexos de todos os dias que perdi estão em mim. Os olhos não querem olhar. Minha voz se nega a cantar. A luz revela todo um futuro que eu já desperdicei. Me afogo em uma dor que ninguém admite sentir. Eu erro por acreditar que errei. Percebo que a felicidade já não é meu objetivo, quando os tons de cinza se agarram em mim. Por mais que eu lute, fale, mostre ou faça o que for, nada mais vale a pena. Serei esquecido assim como as ampulhetas nas eternas areias do tempo.

Olhando para o nada e fingindo que entendo.

Você pode ouvir esse texto narrado aqui --- Escrevo e apago. Suspiro. Coloco as mãos no rosto, olho por entre os dedos achando que acordei com 9 anos. Escrevo 44 linhas e apago. Eu estou me matando. Uma dor a cada batimento cardíaco.  Minha mente me confunde, eu tento quebra-la em pedaços para entende-la mas eu falho sempre. Onde está aquele jovem tão feliz? Onde está aquela pessoa com amigos e amor pela vida? Realmente me perdi a anos, me perdi tão longe que não da pra saber onde e como foi. Repito erros, repito medos, repito fracassos e não consigo tirar o pé desse buraco. Então eu retorno para esse lugar que criei na minha mente, para escapar da realidade. Reduzindo as expectativas a cada dia. Agora tenho certeza que boa parte da minha vida é um lugar escuro, frio e chuvoso. Gradualmente eu vou esvaziando.  O tempo é meu aliado, mas insisto e...

Foco.

Onde está a luz? Onde está o contraste? Estou completamente fora de foco. Eu fui esquecido pelos amantes, aqueles que de alguma forma ou outra já contatei na vida. Estou caído e não há ninguém por perto. Ninguém. Se aqueles momentos, todos aqueles momentos pudessem ser vividos novamente, talvez agora, pudesse ter alguém por perto. Mas eu faria outras escolhas? Eu assumiria os erros, as consequências? Eu preciso ouvir, me ouvir. Preciso ver e me ver. Preciso saber o que é real e o que não é, preciso aprender quando minha própria mente está mentindo para mim. Eu preciso ser mais, muito mais que esse medo que me enfrenta e me derrota. Preciso acordar desse pesadelo ou levantar desse chão frio.

Como é ser você?

Ninguém vai me perguntar isso durante a minha estadia nesse planeta, porém eu responderei mesmo assim. Como é ser eu? Bem, eu poderia escrever uma história grande, a minha jornada até aqui. Porém eu não consigo creditar emoção a mais nada, tão pouco às minhas palavras. Ser quem sou, é ser triste. É pensar que tenho talentos mas não saber como usa-los. É lembrar dos sonhos e perceber que vivo um pesadelo. É sorrir e sentir que estou me enganando. É chorar e sentir que estão me cortando. Ser quem sou, é não saber quem é. É não entender o sentido da existência. É não ver porque continuar a viver o próximo dia. É perceber como meus problemas residem na minha mente e perceber que não sou capaz de livrar. É saber que eu não sirvo mais para nada. Ser quem sou é como ser qualquer um. Não sou especial, não sinto ser e talvez nunca seja. Vejo os dias passarem tão rápidos. Sinto desperdiçar cada minuto. Perco a vontade de viver logo quando abro os olhos e começo a ouv...