Pular para o conteúdo principal

APLAUSOS


Talvez seja hora de estrear a nova peça.

Aplausos esperam-me para uma glória eterna, ou eterna espera, desesperada por sabedoria e angustiada por ignorância.

Quais os sentidos puros da visão, se de fato o que eu vejo não é real ?
Realidade é sentir dor mas desconhece-la por não compreender quando um mundo passa pela sua mente.

O som que ouço é inspirador, calmo e ainda traz toda a memoria de uma vida que eu nunca vivi. Traz sentimentos que nunca senti, mas posso deduzir por cantos que o futuro já premeditado ainda pode ser mudado.

Viver acorrentado a um arrependimento não é viver. Apenas tento esquecer e fazer minha mente acreditar que não é verdade.

Se realmente o que nós fazemos ecoa pela eternidade, quero estar vivo para ver a ultima rebatida das palavras dolorosas no fim do universo.

Liberte-me de tudo o que fiz. Deixe meus olhos verem a realidade, ela vive atras do sol e eu consigo senti-la.

Essas lagrimas já não são mais as mesmas, apenas descem para continuar com o véu do delírio onde a luz não encosta.

Onde mais devo andar para que alguém me ensine a viver?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Observatório Octogonal

Eis o fim do ciclo. Eis o início de outro. Para a roda, é só mais uma volta comum. Mas nossas marcações nos fazem segurar os momentos até poder soltar novamente. As vezes nos agarramos até sangrar, nos obrigando a abandonar a condução da intenção. Mas as vezes, caminhamos de bom grado ao lado das memórias e nos despedimos com delicadeza. E não por coincidência, é assim que eu digo adeus. Tudo que está escrito aqui abaixo, são fragmentos de textos do último ano. Então, para que eu me sinta concluido, mesmo com ideias inacabadas, irei revelar o que me rodeou até chegar aqui. --- "A morte da sombra" Chegou a minha vez. Estou escrevendo como um ancião e, ao mesmo tempo, cru. Eu me quebrei. Caminhei cegamente pelo mesmo chão a 10 anos. Evitei escadas, cordas, rampas, placas e qualquer outra coisa que pudesse me direcionar a um lugar além. O espaço foi diminuindo, os passos ficaram curtos, as voltas substituídas por retas. Uma consequência das vendas que coloquei, uma por cima da o...

Esqueça

Esqueça. Conquistar a paz exterior é como vencer uma guerra sozinho. É impossível, é inviável, mas mesmo assim, insistimos em estar lá. Sabe aquele pensamento de que tudo irá melhorar um dia? O pensamento de que a fase ruim vai passar e que terá o que quer? Esqueça. Eu esqueci. Já estou condenado. Amarrado na primeira linha junto ao surto, raiva, loucura e solidão. Cheguei nessa posição sem escolha. Acordei e assim fiquei. Não há como escapar ou negociar. Ao meu lado, centenas de corpos exalam os gritos de vidas que foram dilaceradas ao som de talheres, relógios, gotas, pássaros e outros sons inofensivos, aparentemente. Eu pertenço a essa tortura. Tenho o mesmo cheiro, as mesmas expressões, os mesmos pensamentos. Me castigo e castigo outros. E todas essas correntes ao meu redor, bem... jamais irão se livrar de mim. Somos pilares equivalentes, entrelaçados mentalmente, afundando sem cerimônia em um mundo que pedem para esquecer da gente.

Ação e reação.

Toda ação tem uma reação. Toda decisão tem uma consequência. Eu passei quase a minha vida inteira ouvindo essas frases, e mesmo assim, nunca as realmente conheci. Sempre vi o futuro como imediato. O próximo segundo para respirar, o novo dia o qual a dor diminuirá, a próxima semana para recomeçar. Um futuro tão longe quanto meu próximo corte de cabelo. Infelizmente, para mim, o espelho é lento demais para contar a verdade, principalmente quando não se olha para si. Eu sou esquecido. A minha mente não tem gavetas ou arquivos de memórias para que eu possa revisita-las, senti-las e me emocionar com o que vivi. Apenas acredito que fiz coisas interessantes, mas não relevantes. Coisas sem movimento, sem vento. Rimas pobres que ninguém se dará o trabalho de notar, anotar. Eu estagno fácil. Me debruço sobre o relógio e me hipnotizo com as engrenagens que sustentam a pressa. Passo a vida assim... e ninguém me acorda. Eu sou esqueci...